Programação começa nesta quarta-feira e reúne filmes brasileiros e internacionais, cópias digitalizadas, sessões ao ar livre e materiais históricos.
A Cinemateca Brasileira inicia nesta quarta-feira, 9 de setembro, a mostra “1976 – 50 Anos Depois”, programação que leva novamente às telas produções lançadas há exatamente meio século. O evento segue até 20 de setembro, em São Paulo, com sessões gratuitas e uma seleção que atravessa diferentes países, gêneros e movimentos cinematográficos. Entre os destaques estão obras que se tornaram referências mundiais e filmes brasileiros importantes para compreender a produção cultural do país durante a década de 1970. (Istituto Italiano de Cultura SP)
A sessão de abertura terá “Carrie, a Estranha”, clássico dirigido por Brian De Palma, exibido ao ar livre. A programação também reúne títulos como “Taxi Driver”, “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, “Xica da Silva”, “Cria Cuervos”, “O Império dos Sentidos”, “King Kong”, “Aleluia Gretchen” e outras produções que ajudam a mostrar a diversidade do cinema realizado naquele período. (Folha de S.Paulo)
A iniciativa faz parte de um projeto iniciado pela Cinemateca em 2022 para revisitar, a cada edição, filmes produzidos 50 anos antes. Em 2026, a proposta ganha uma dimensão adicional porque algumas obras pouco vistas receberam novas cópias digitais, enquanto trailers, cinejornais e materiais gráficos preservados pela instituição ajudam a reconstruir a experiência cinematográfica e o ambiente cultural da época. (Istituto Italiano de Cultura SP)
Mostra reúne clássicos brasileiros e internacionais lançados em 1976
A programação foi organizada com curadoria do cineasta Paulo Sacramento, idealizador da mostra, em parceria com o setor de Difusão de Filmes da Cinemateca Brasileira. A seleção procura apresentar diferentes cinematografias e estilos, permitindo que o público observe como diretores de vários países respondiam às transformações políticas, sociais e culturais da década de 1970. (Istituto Italiano de Cultura SP)
Entre os filmes internacionais estão produções que permaneceram influentes durante as cinco décadas seguintes. “Taxi Driver”, de Martin Scorsese, retrata uma Nova York marcada por violência, isolamento e desencanto; “Carrie, a Estranha” transformou conflitos adolescentes, repressão e fanatismo em um dos grandes títulos do terror; e “O Império dos Sentidos”, de Nagisa Oshima, tornou-se uma das obras mais provocativas daquele período. (Folha de S.Paulo)
O cinema europeu também aparece com títulos como “Cria Cuervos” e “Jonas que Terá Vinte e Cinco Anos no Ano 2000”. A seleção permite observar como parte da produção cinematográfica de 1976 refletia um mundo que começava a olhar com maior desencanto para algumas das utopias políticas e sociais associadas ao final dos anos 1960. (Folha de S.Paulo)
No Brasil, o contexto era bastante diferente. O país ainda estava sob a ditadura militar e a produção cultural convivia diretamente com a censura. Filmes daquele período encontraram maneiras distintas de abordar sexualidade, desigualdade, autoritarismo, história e comportamento, enquanto a indústria cinematográfica nacional buscava ampliar sua presença junto ao público. (Folha de S.Paulo)
A programação inclui produções brasileiras como “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, dirigido por Bruno Barreto, “Xica da Silva”, de Cacá Diegues, “Aleluia Gretchen”, de Sylvio Back, e “Inferno Carnal”, de José Mojica Marins. A diversidade mostra que 1976 não pode ser resumido a um único movimento: cinema popular, experimentação, crítica social, erotismo e terror conviviam nas salas brasileiras. (ABCine)
Cinemateca recupera filmes raros e materiais históricos
Um dos aspectos mais importantes da mostra está no trabalho de preservação realizado nos bastidores. Para esta edição, a Cinemateca produziu novas cópias digitais de obras pouco vistas, ampliando a possibilidade de acesso a filmes que poderiam permanecer restritos a arquivos ou materiais de difícil exibição. (Istituto Italiano de Cultura SP)
Entre eles aparecem “O Pai do Povo”, “Presídio de Mulheres Violentadas” e o raro “Luciana, a Comerciária”. Também foi preparado o curta “Filmando Dona Flor”, registro dos bastidores de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. O conjunto reforça uma função essencial da Cinemateca: não apenas exibir filmes conhecidos, mas preservar e recuperar partes menos acessíveis da memória audiovisual brasileira. (Istituto Italiano de Cultura SP)
A experiência também pretende recuperar elementos que faziam parte de uma sessão de cinema décadas atrás. Antes de alguns longas, serão apresentados trailers de época e cinejornais do Canal 100, coleção preservada pela Cinemateca e atualmente submetida a um processo de recuperação. (Istituto Italiano de Cultura SP)
No Foyer Grande Otelo, uma exposição de cartazes acompanha a programação cinematográfica. Entre os materiais apresentados está o cartaz de “Bacalhau”, que passou por tratamento de conservação e restauro no laboratório da própria instituição. O trabalho evidencia que preservar cinema significa cuidar não apenas das imagens em movimento, mas também de documentos, fotografias, cartazes e outros registros relacionados às produções. (ABCine)
A recuperação desses materiais ganha relevância em um momento de digitalização acelerada do audiovisual. Filmes produzidos originalmente em película exigem condições específicas de conservação, catalogação e restauração para continuarem disponíveis às próximas gerações. Ao colocar parte desse acervo novamente diante do público, a Cinemateca aproxima preservação histórica e programação cultural.
Como visitar a mostra 1976 – 50 Anos Depois
A mostra acontece entre 9 e 20 de setembro de 2026 na Cinemateca Brasileira, localizada no Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Mariana, em São Paulo. Todas as sessões da programação principal são gratuitas. (Istituto Italiano de Cultura SP)
Para as sessões realizadas nas salas de cinema, os ingressos podem ser retirados na bilheteria uma hora antes de cada exibição. Nas apresentações ao ar livre realizadas no Espaço Alberto Cavalcanti, não é necessário retirar ingresso previamente: os lugares são ocupados por ordem de chegada. (Istituto Italiano de Cultura SP)
A programação começa nesta quarta-feira com “Carrie, a Estranha”. Ao longo dos próximos dias, o público poderá encontrar produções brasileiras e estrangeiras que atravessam terror, drama, cinema político, comédia, experimentação e outras vertentes importantes daquele período. (Folha de S.Paulo)
Além das sessões, a Cinemateca preparou um catálogo dedicado à edição. A publicação reúne textos, informações técnicas e imagens relacionadas às obras exibidas. Exemplares serão distribuídos na bilheteria mediante a apresentação de dois ingressos referentes às sessões da mostra. (Istituto Italiano de Cultura SP)
A escolha de 1976 mostra como uma programação cultural pode funcionar também como exercício de memória. Ao colocar lado a lado filmes brasileiros e estrangeiros produzidos em um mesmo ano, a mostra permite comparar diferentes sociedades e perceber como questões políticas, comportamentais e culturais atravessavam o cinema há cinco décadas.
Para o público atual, existe ainda a oportunidade de descobrir obras raramente disponíveis em salas e rever clássicos em um contexto histórico mais amplo. Mais do que uma retrospectiva baseada em nostalgia, “1976 – 50 Anos Depois” utiliza o cinema como documento de uma época e demonstra por que preservar filmes também significa preservar parte da memória cultural de uma sociedade.