Jovens em busca de segurança: a ascensão dos planos funerários na nova geração  

Por Diego Velázquez 7 Min de leitura
Tiago Oliva Schietti

Tiago Oliva Schietti, empresário do setor cemiterial e funerário, identifica um fenômeno que contraria a expectativa tradicional sobre quem busca planejamento funerário no Brasil: a adesão crescente de adultos jovens, entre 25 e 40 anos, a planos de assistência familiar, um comportamento que há poucos anos seria considerado atípico nessa faixa etária.

Esse movimento se conecta a uma mudança mais ampla no comportamento de consumo das novas gerações, que tendem a tratar decisões financeiras de longo prazo, incluindo planejamento funerário, com a mesma naturalidade com que avaliam seguros de vida ou previdência privada. O crescimento da contratação de planos funerários, segundo dados de planos regionais que já registram recordes mensais de adesão, reflete uma mudança de mentalidade que atravessa diferentes faixas etárias, e não apenas a população idosa, público historicamente associado a esse tipo de decisão.

A pergunta que emerge desse comportamento é reveladora: o que leva jovens adultos, que aparentemente têm um horizonte de vida mais longo, a se interessar por um tipo de planejamento que tradicionalmente era associado à terceira idade?

Pandemia provoca reflexão sobre finitude e decisões financeiras entre adultos jovens  

A pandemia de COVID-19 teve um efeito duradouro sobre a forma como diferentes gerações encaram a própria finitude. Para adultos jovens que vivenciaram, de forma direta ou indireta, a perda de familiares durante esse período, a sensação de imprevisibilidade em relação à própria vida passou a integrar decisões financeiras que antes pareciam distantes da realidade dessa faixa etária.

Como evidencia parte da literatura sobre comportamento do consumidor pós-pandemia, esse tipo de experiência coletiva tende a acelerar decisões de planejamento que, em circunstâncias normais, levariam mais tempo para se consolidar como comportamento de mercado relevante.

Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

O que a nova geração pode ensinar sobre planejamento financeiro e decisões de fim de vida?

Diferente de gerações anteriores, que costumavam separar claramente planejamento financeiro de decisões sobre o fim da vida, adultos jovens tendem a integrar essas duas dimensões em um único raciocínio. Pesquisa da Amar Assist Insurtech indica que cerca de 73% dos brasileiros já demonstram interesse em planos funerários, principalmente para evitar burocracia e gastos imprevistos, um argumento que ressoa especialmente entre quem já está acostumado a planejar outras dimensões financeiras da vida com antecedência.

Tiago Oliva Schietti demonstra que essa integração entre planejamento financeiro amplo e planejamento funerário específico representa uma das mudanças comportamentais mais relevantes dos últimos anos, ao normalizar um tipo de decisão antes restrita a faixas etárias mais avançadas.

Esse raciocínio integrado também se reflete na forma como esses adultos jovens comparam produtos financeiros. Em vez de tratar o plano funerário como uma categoria isolada, muitos passam a avaliá-lo lado a lado com previdência privada, seguro de vida e reserva de emergência, buscando entender qual combinação de proteções oferece melhor relação entre custo mensal e cobertura ao longo do tempo. Essa lógica comparativa, comum em decisões sobre cartão de crédito ou investimentos, começa a se estender a um tipo de produto que, até pouco tempo atrás, raramente entrava nessa equação financeira mais ampla.

Como as redes sociais estão transformando o planejamento funerário em um tema mais acessível?

Conteúdos sobre planejamento funerário, antecipação de decisões e organização financeira relacionada ao fim da vida começaram a ganhar espaço em redes sociais, especialmente entre criadores de conteúdo voltados à educação financeira. Esse tipo de exposição contribui para reduzir o estranhamento histórico em torno do tema, tornando-o parte de conversas mais amplas sobre planejamento de vida.

Como esclarece o empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Oliva Schietti, esse fenômeno de normalização digital ajuda a explicar por que jovens adultos, público mais ativo em redes sociais, se mostram mais abertos a considerar esse tipo de planejamento do que gerações anteriores se mostravam na mesma faixa etária.

De que maneira a mudança cultural está contribuindo para o aumento da adesão de jovens ao mercado funerário?

A democratização de preços em planos funerários, que hoje atendem diferentes faixas de renda, remove uma barreira que historicamente limitava esse tipo de produto a públicos de maior poder aquisitivo. Para adultos jovens em início de trajetória profissional, mensalidades acessíveis tornam viável incluir esse tipo de proteção familiar em um orçamento ainda em consolidação.

Esse fator econômico, combinado à mudança cultural já em curso, cria condições favoráveis para que a adesão de públicos mais jovens continue crescendo nos próximos anos, ampliando a base de clientes de um setor que historicamente dependia quase exclusivamente da população idosa, informa Tiago Oliva Schietti.

Essa ampliação de público também pressiona as empresas a revisar a forma como estruturam seus planos. Em vez de oferecer um modelo único, pensado originalmente para famílias com membros mais velhos, parte do setor passa a desenhar faixas de cobertura e mensalidades específicas para quem está em início de carreira, levando em conta um perfil de orçamento mais apertado e uma expectativa de uso do plano em um horizonte de tempo bem mais longo. Esse tipo de segmentação, ainda incipiente no mercado brasileiro, tende a se tornar mais comum conforme a base de clientes jovens cresce e passa a representar parcela relevante da receita recorrente das empresas funerárias.

Normalização do planejamento funerário entre jovens sinaliza futuro promissor para o setor

O comportamento de adultos jovens em relação ao planejamento funerário sinaliza uma transformação cultural que deve se aprofundar nas próximas gerações. Conforme aponta o empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Oliva Schietti, a normalização desse tipo de planejamento entre públicos mais jovens tende a se tornar permanente, e não um fenômeno passageiro ligado exclusivamente ao contexto pós-pandêmico.

No fim, esse movimento amplia significativamente o potencial de mercado do setor funerário brasileiro, ao mesmo tempo em que exige das empresas produtos e linguagem de comunicação adaptados a um público que pensa sobre o fim da vida de forma diferente da geração que as antecedeu.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez.