Transferência de gordura surge como alternativa para reconstrução mamária após mastectomia

Por Redação Jornal Eventos 6 Min de leitura

Uma técnica de reconstrução mamária que utiliza exclusivamente gordura da própria paciente foi avaliada por cirurgiões plásticos dos Países Baixos como alternativa após a mastectomia. O método não recorre a implantes nem aos retalhos tradicionais, que utilizam tecidos transferidos de outras partes do corpo. A proposta combina a expansão gradual da pele do tórax com sessões de transferência de gordura autóloga.

A divulgação da American Society of Plastic Surgeons, publicada em 29 de setembro de 2026, informa que a abordagem apresentou altos índices de satisfação e baixa taxa de complicações no acompanhamento descrito. O estudo foi publicado na edição de outubro de 2026 da revista Plastic and Reconstructive Surgery.

Apesar dos resultados iniciais, a técnica não deve ser apresentada como substituta universal das demais formas de reconstrução. A escolha depende das condições clínicas, do histórico do tratamento contra o câncer de mama, da quantidade de tecido adiposo disponível e das expectativas da paciente. A avaliação costuma envolver uma equipe multidisciplinar.

Como funciona a reconstrução mamária com gordura autóloga

O procedimento começa com a expansão da pele do tórax por meio do dispositivo EVE-bra. O objetivo é preparar a região para receber gradualmente o tecido adiposo. Depois, a gordura é retirada por lipoaspiração de áreas como abdômen, costas, quadris ou coxas e transferida para a mama que será reconstruída.

Como a gordura é obtida do próprio corpo, a técnica é chamada de autóloga. O método pode ser considerado por pacientes que desejam evitar implantes ou que não são candidatas aos retalhos microcirúrgicos, nos quais tecidos, vasos sanguíneos e, em alguns casos, músculos são deslocados de outra região corporal.

O uso da gordura, entretanto, não significa que uma única cirurgia seja suficiente em todos os casos. De acordo com a divulgação da ASPS, a reconstrução costuma ser realizada em etapas e, na maioria dos casos descritos, foram necessárias aproximadamente quatro sessões para alcançar o resultado desejado.

Técnica é realizada em várias etapas

O tratamento pode se estender por cerca de um ano. Durante esse período, a paciente passa por ciclos de expansão da pele, retirada de gordura e novas transferências. A quantidade de tecido aproveitada e a resposta individual ao procedimento influenciam o número de intervenções necessárias.

O dispositivo expansor também pode provocar efeitos desconfortáveis. Entre os problemas descritos estão coceira, irritação, bolhas e incômodo na região do tórax. Esses efeitos devem ser discutidos antes do início do tratamento, assim como a possibilidade de novas sessões e os cuidados associados à lipoaspiração.

A reconstrução com gordura autóloga também pode envolver mudanças nas áreas doadoras. A retirada do tecido adiposo é feita por lipoaspiração, o que acrescenta procedimentos e cuidados a regiões como abdômen, costas, quadris ou coxas. A indicação precisa considerar se há gordura suficiente e se a retirada é clinicamente adequada.

Quais são as vantagens e limitações

Entre os possíveis benefícios está o uso de um tecido da própria paciente, sem a necessidade de inserir um implante. A técnica também pode oferecer uma alternativa para mulheres que não desejam materiais protéticos ou que não podem realizar determinados retalhos. Os resultados de satisfação divulgados no estudo indicam potencial para ampliar as opções disponíveis após a mastectomia.

Pesquisas anteriores do grupo holandês avaliaram a reconstrução total com gordura autóloga e um dispositivo de expansão. Segundo o registro do estudo no PubMed, a análise de um ano investigou indicadores relacionados à qualidade de vida, à satisfação com as mamas e ao bem-estar psicossocial.

Por outro lado, o tratamento é prolongado, exige múltiplas etapas e pode causar desconforto. A disponibilidade de tecido adiposo, a cicatrização, o histórico oncológico e as condições gerais de saúde são fatores que podem limitar a indicação. Além disso, os resultados precisam ser interpretados no contexto das evidências disponíveis e do acompanhamento de longo prazo.

Procedimento não substitui todas as opções reconstrutivas

Implantes, retalhos microcirúrgicos e transferência de gordura são alternativas que podem coexistir na cirurgia reparadora. A decisão deve ser tomada individualmente, após a avaliação de cirurgiões plásticos e dos demais profissionais envolvidos no cuidado da paciente com câncer de mama.

Um ensaio clínico randomizado registrado no PubMed também comparou gordura autóloga e implantes, enquanto uma revisão sistemática e meta-análise analisou resultados e complicações da técnica. Esses trabalhos ajudam a situar a transferência de gordura no conjunto de alternativas reconstrutivas, mas não eliminam a necessidade de indicação médica individualizada.

A principal contribuição da abordagem é ampliar o leque de possibilidades para mulheres submetidas à mastectomia. Antes de optar pelo procedimento, é necessário discutir número provável de sessões, duração do tratamento, desconfortos, áreas doadoras e expectativas realistas. A reconstrução mamária deve ser planejada em conjunto com a equipe responsável pelo acompanhamento oncológico e cirúrgico.