Nova regulamentação para voos não tripulados entra em vigor no país e impulsiona espetáculos aéreos em festas populares e eventos corporativos.
Uma nova forma de espetáculo visual tem conquistado espaço nos céus brasileiros, e a fumaça e o barulho dos fogos de artifício começam a dividir espaço com centenas de drones sincronizados formando desenhos, logotipos e mensagens no ar. O movimento ganhou força este ano com a entrada em vigor de novas regras de aviação para esse tipo de operação, além de uma agenda cada vez mais recheada de shows aéreos em festivais, réveillons e eventos corporativos pelo país.
Nova regulamentação abre caminho para mais espetáculos aéreos
Realizada de 16 a 18 de junho no Expo Center Norte, em São Paulo, a feira DroneShow 2026 reuniu operadores, fabricantes, empresas de tecnologia e órgãos reguladores para discutir o presente e o futuro das operações com aeronaves não tripuladas no Brasil. O evento funcionou como um termômetro do setor justamente no momento em que o país passou a adotar regras mais claras para esse tipo de voo. MundoGEO
Ao longo dos três dias de evento, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo atendeu centenas de visitantes interessados nas atualizações da regulamentação para drones, com destaque para a Instrução do Comando da Aeronáutica 100-40 e a ICA 100-48, que trata do gerenciamento de tráfego não tripulado. As duas normas entraram em vigor no dia 1º de julho deste ano. MundoGEO
A expectativa do setor é que as novas regras, que incluem aprovações automáticas para determinados tipos de voo, facilitem a realização de espetáculos aéreos em espaços urbanos, hoje um dos usos mais visíveis dessa tecnologia para o público em geral. Representantes da área também apontam que a regulamentação é um passo necessário rumo a projetos mais ambiciosos de mobilidade aérea urbana, ainda em fase inicial no país.
De réveillons a homenagens musicais: os drones já fazem parte do calendário de eventos
O uso de drones como espetáculo já deixou de ser novidade isolada em algumas cidades brasileiras. Em Belo Horizonte, uma mensagem formada por drones iluminou o céu da capital mineira em homenagem ao músico Lô Borges durante um espetáculo natalino, com cerca de cem aeronaves compondo as imagens no ar. A cidade também recebeu, na virada do ano, um show de luzes com trezentos drones na Praça da Liberdade, um dos pontos mais tradicionais das comemorações de réveillon na capital mineira. Estado de Minas
Essa nova forma de entretenimento visual tem ganhado espaço em eventos ao redor do mundo, de grandes cerimônias como as Olimpíadas de Paris e Tóquio a ações publicitárias, substituindo ou complementando os tradicionais fogos de artifício. A capacidade de formar desenhos detalhados e mensagens legíveis no céu é apontada como um dos principais atrativos da tecnologia frente aos fogos convencionais. Estado de Minas
O interesse também aparece em festivais internacionais que já adotam o formato como atração central. Um festival de cinema na Europa decidiu substituir o tradicional show de fogos de artifício por um espetáculo de drones com 1300 máquinas, com dez minutos de duração e nova sessão em dias seguintes. O caso ilustra uma tendência que também começa a aparecer com força em produções brasileiras de grande porte. Brasilemfolhas
Além dos festivais e réveillons, a capital paulista deve ganhar em breve uma atração dedicada exclusivamente a esse formato de espetáculo. O DroneArt Show chega a São Paulo depois de já ter passado por mais de 40 cidades ao redor do mundo, com uma apresentação no Parque Villa Lobos que combina centenas de drones formando luz, cor e movimento no céu noturno. Uma versão semelhante do espetáculo também está prevista para o Rio de Janeiro, no Riocentro. Drone Art Show
Eventos corporativos também adotam os shows aéreos como ferramenta de comunicação
Fora do circuito de festivais e festas populares, o mercado de eventos corporativos passou a enxergar nos drones uma nova forma de reforçar a mensagem de marcas durante convenções, lançamentos de produtos e premiações internas. Por meio de espetáculos sincronizados de luzes, é possível formar logos, palavras, símbolos e animações no céu, e a complexidade das cenas depende diretamente do tamanho da frota de drones disponível. R1 Grupo
Empresas especializadas nesse tipo de produção já atendem clientes de diferentes portes em todo o país, oferecendo desde pequenas apresentações com dezenas de aeronaves até espetáculos mais complexos, com centenas de drones formando cenas em sequência. O formato tem sido descrito como uma alternativa sem fumaça e sem o barulho característico dos fogos tradicionais, o que facilita sua utilização em espaços urbanos com restrições sonoras ou ambientais mais rígidas.
Um dos fatores que ainda limita a expansão desses espetáculos no Brasil é justamente a necessidade de autorização junto aos órgãos de aviação civil, o que reforça a importância das novas regras que entraram em vigor em julho. Com processos de aprovação mais ágeis, a tendência apontada por especialistas do setor é que o número de shows de drones cresça tanto em festivais de música quanto em eventos corporativos e comemorações públicas ao longo dos próximos meses.
A combinação entre uma regulamentação mais moderna e o apetite crescente do público por experiências visuais diferentes das tradicionais tem colocado o Brasil em um momento de transição na forma de celebrar grandes eventos. Se os fogos de artifício ainda dominam boa parte das festas populares no país, os shows de drones já mostram sinais claros de que vieram para ficar, seja como atração isolada, seja como complemento de espetáculos musicais e comemorações que buscam se diferenciar em meio à concorrência do calendário de eventos brasileiro.
Fontes: