Em convenção nacional, MDB decide não lançar candidato à Presidência em 2026

Por Diego Velázquez 7 Min de leitura

 Partido libera diretórios estaduais para alianças locais e concentra esforços em governos estaduais e no Congresso.

O Movimento Democrático Brasileiro realizou nesta segunda-feira, 27 de julho, sua convenção nacional para definir os rumos da legenda nas eleições de 2026. O encontro, feito de forma virtual, chegou a uma decisão que muda o posicionamento tradicional do partido: o MDB não vai lançar candidato próprio à Presidência da República nem à Vice-Presidência, e também não vai firmar coligação nacional para apoiar outro nome na disputa pelo Palácio do Planalto. A decisão foi aprovada em consenso entre as diferentes correntes internas da sigla.

Com a definição, os diretórios estaduais do MDB ficam livres para negociar alianças de acordo com a realidade política de cada região, sem depender de uma orientação vinda da executiva nacional do partido. Na prática, candidatos e lideranças da sigla em diferentes estados poderão apoiar presidenciáveis distintos, conforme os interesses locais de cada diretório, uma flexibilidade que o partido considera estratégica diante de um cenário político fragmentado às vésperas das eleições.

Segundo apuração de veículos que acompanharam a convenção, essa é a primeira vez desde a redemocratização que o MDB opta por ficar fora da disputa presidencial, seja com candidatura própria, seja por meio de coligação nacional. A mudança representa uma ruptura significativa em relação à tradição da legenda, historicamente conhecida por manter presença ativa nas corridas ao Palácio do Planalto, e é vista por dirigentes do partido como um recurso para evitar desgastes internos em um momento de disputas eleitorais acirradas em todo o país.

O que motivou a decisão do partido

 

Segundo o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, de São Paulo, a estratégia busca preservar a unidade interna da legenda e fortalecer seu desempenho nos estados. Em declaração divulgada pelo próprio partido, Rossi afirmou que a liberação nacional acaba unindo e pacificando a sigla, deixando o MDB mais forte para que, nos estados, o resultado eleitoral seja bastante positivo.

A decisão também é lida como reflexo de experiências consideradas frustrantes em eleições presidenciais anteriores. Em 2022, o MDB lançou a então senadora Simone Tebet em coligação com a Federação PSDB Cidadania, mas a candidata terminou a corrida em terceiro lugar, com cerca de 4% dos votos válidos. Quatro anos antes, em 2018, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles ficou em sétimo lugar, com menos de 2% dos votos, resultado que reforçou dentro da legenda a avaliação de que candidaturas presidenciais próprias vinham consumindo recursos e energia sem o retorno esperado nas urnas.

Vale lembrar que o MDB tem um histórico relevante na política nacional, tendo ocupado a Presidência da República durante a gestão de Michel Temer e participado de governos anteriores ao lado de Lula e Dilma Rousseff, entre 2003 e 2015. Diante desse histórico, abrir mão da disputa presidencial representa uma mudança de rota expressiva para uma sigla que sempre esteve presente, de alguma forma, nas principais articulações em torno do Palácio do Planalto.

Como foi a convenção e o que muda na prática

 

A convenção nacional ocorreu de maneira virtual, sem reunião presencial das principais lideranças em um mesmo auditório, repetindo o formato já adotado pelo partido nas eleições de 2022. A escolha por manter o modelo online, mesmo em um momento de decisão tão relevante para a legenda, chamou atenção de observadores políticos, ainda que não tenha impedido que a definição fosse amplamente divulgada e repercutida por diferentes veículos de imprensa.

Na prática, a liberação dos diretórios estaduais significa que o MDB poderá compor palanques distintos em cada unidade da federação, formando alianças com partidos diferentes conforme as candidaturas a governador e as disputas locais em cada estado. Um exemplo dessa dinâmica já aparece no Espírito Santo, onde o partido deve lançar candidatura própria ao governo estadual, com o atual governador Ricardo Ferraço concorrendo à reeleição, mantendo por ora um posicionamento neutro em relação à corrida presidencial nacional.

Foco em governos estaduais e no Congresso

 

Com a neutralidade na disputa presidencial, o MDB direciona sua estratégia para dois objetivos centrais: a eleição de governadores em diferentes estados e o fortalecimento das bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Segundo Baleia Rossi, o partido tem convicção de que pode obter bons resultados tanto na Câmara quanto no Senado, apostando na capilaridade regional da legenda como um dos seus principais trunfos eleitorais para este ciclo.

A decisão do MDB também se insere em um calendário mais amplo de convenções partidárias que se estende ao longo do ano. Outras legendas, como o PCdoB, têm suas próprias convenções nacionais previstas para as semanas seguintes, o que reforça que julho e agosto concentram boa parte das definições estratégicas dos partidos brasileiros antes do período oficial de registro de candidaturas.

Com a definição tomada nesta convenção, o MDB se junta ao grupo de legendas que vão priorizar disputas estaduais e legislativas no ciclo eleitoral de 2026, deixando em aberto o apoio a diferentes presidenciáveis conforme a realidade de cada estado. Nos próximos meses, a expectativa é que os diretórios estaduais comecem a anunciar suas alianças regionais de forma mais concreta, um processo que deve se intensificar à medida que se aproxima o período oficial de convenções para a escolha de candidatos a governador, senador e deputado em todo o país.

Fontes consultadas: CNN Brasil (https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/mdb-libera-diretorios-estaduais-e-nao-apoiara-nenhum-presidenciavel/), ND+ (https://ndmais.com.br/politica/mdb-decide-nao-ter-candidato-a-presidencia-e-libera-estados-para-aliancas-regionais-na-eleicao-deste-ano/), Imirante (https://m.imirante.com/noticias/brasil/2026/07/27/ipolitica-mdb-decide-nao-lancar-candidato-a-presidencia-em-2026) e Folha Vitória (https://www.folhavitoria.com.br/politica/mdb-decide-nao-entrar-na-corrida-presidencial/).