Por que cuidar do idoso exigirá olhar para a funcionalidade? Saiba com o Doutor Yuri Silva Portela

Por Patrick Calderton 5 Min de leitura
Yuri Silva Portela

A geriatria está mudando a forma de compreender o envelhecimento, especialmente porque cuidar de uma pessoa idosa não significa apenas controlar doenças. Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, apresenta uma perspectiva que ganha espaço nesse cenário: avaliar a funcionalidade, ou seja, entender o quanto o indivíduo consegue realizar suas atividades, tomar decisões e manter sua participação na vida cotidiana. 

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O que significa avaliar a funcionalidade? Veja com o Doutor Yuri Silva Portela

Na prática, avaliar a funcionalidade significa observar capacidades que fazem parte da rotina. Caminhar, tomar banho, preparar uma refeição, administrar medicamentos, utilizar o transporte, organizar compromissos e manter atividades sociais são exemplos de ações que ajudam a mostrar o grau de independência de uma pessoa. Por isso, dois idosos com a mesma idade e diagnósticos semelhantes podem apresentar necessidades completamente diferentes.

A avaliação também precisa considerar aspectos cognitivos e emocionais. Alterações de memória, dificuldades de comunicação, problemas de visão, perda de força e mudanças no humor podem interferir diretamente na autonomia. A partir do que comunica o Doutor Yuri Silva Portela, observar essas dimensões permite compreender o idoso de maneira mais ampla e identificar situações que poderiam passar despercebidas quando a atenção fica concentrada apenas nos resultados de exames.

Doutor Yuri Silva Portela e os limites de olhar apenas para doenças

Doenças crônicas fazem parte da realidade de muitos idosos, mas sua presença não determina, sozinha, o nível de independência. Uma pessoa pode conviver com uma condição controlada e continuar realizando suas atividades normalmente. Em contrapartida, uma alteração aparentemente simples pode comprometer a rotina quando afeta equilíbrio, mobilidade, alimentação ou capacidade de organização.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

De acordo com o Doutor Yuri Silva Portela, essa diferença ajuda a explicar por que o cuidado geriátrico precisa considerar o impacto concreto de cada problema. Em vez de tratar cada diagnóstico isoladamente, é necessário compreender como eles se relacionam e quais consequências produzem no cotidiano. Esse olhar também evita que o envelhecimento seja associado automaticamente à incapacidade, reconhecendo que a autonomia pode ser preservada mesmo diante de algumas limitações.

Por que prevenir perdas funcionais?

Identificar mudanças antes que elas se tornem limitações importantes é uma das possibilidades desse modelo de cuidado. Uma dificuldade recente para subir escadas, uma queda recorrente ou uma alteração na alimentação podem indicar que algo precisa ser investigado. Quanto mais cedo a situação for percebida, maiores podem ser as possibilidades de adaptar a rotina e evitar consequências mais graves.

A prevenção, nesse contexto, não se resume a exames, assinala o Doutor Yuri Silva Portela. Atividade física adequada, alimentação, acompanhamento de doenças crônicas, revisão de medicamentos, segurança dentro de casa e estímulo à participação social podem fazer parte de uma estratégia individualizada. O objetivo é preservar capacidades importantes para cada pessoa, considerando sua realidade e seus objetivos.

Como a equipe pode ampliar esse cuidado?

A funcionalidade também mostra por que o atendimento ao idoso muitas vezes precisa envolver diferentes áreas. Uma dificuldade para caminhar pode exigir avaliação médica e fisioterapêutica. Uma perda de peso pode demandar atenção nutricional. Já alterações de humor ou isolamento podem indicar a necessidade de acompanhamento psicológico. O trabalho conjunto permite observar diferentes fatores sem reduzir a pessoa a uma única necessidade.

Esse modelo também pode aproximar o cuidado da realidade familiar. A maneira como a casa está organizada, a existência de alguém para oferecer apoio e as condições de transporte podem influenciar diretamente a independência. Assim, como assevera o Doutor Yuri Silva Portela, compreender o ambiente ajuda a definir quais adaptações realmente fazem sentido, evitando intervenções que não correspondam à vida daquele idoso e permitindo que o acompanhamento seja mais adequado às suas necessidades cotidianas.