Planejamento turístico ganha nova base de dados com levantamento em 50 cidades

Por Redação Jornal Eventos 6 Min de leitura

Decisões sobre transporte, hospedagem, lazer e infraestrutura turística poderão contar com uma base de informações mais detalhada a partir de um levantamento iniciado pelo Ministério do Turismo. A iniciativa pretende ouvir aproximadamente 22,5 mil visitantes em 50 destinos brasileiros para identificar como as viagens são planejadas, quais serviços são utilizados e como os turistas avaliam a experiência em cada local.

A pesquisa foi divulgada em 17 de setembro de 2026 e prevê a realização das entrevistas presenciais até 3 de outubro. A proposta é organizar os dados de forma individualizada, permitindo que cada município participante conheça melhor o público que recebe. Os resultados devem ser disponibilizados até abril de 2027 nos painéis do Observatório Nacional de Turismo Sustentável.

Levantamento vai observar a jornada do visitante

Entre os pontos previstos estão o motivo da viagem, o meio de transporte escolhido, o tempo de permanência, os gastos realizados e o tipo de hospedagem utilizado. A coleta também deverá considerar as atividades praticadas durante a estadia e a percepção dos visitantes sobre os destinos pesquisados.

Esse conjunto de informações pode ajudar a mostrar não apenas quantas pessoas chegam a uma cidade, mas também como elas circulam, o que procuram e quais serviços movimentam a economia local. Para empresas de hotelaria, alimentação, passeios e entretenimento, dados desse tipo podem contribuir para compreender melhor a demanda em diferentes períodos do ano.

Segundo o Ministério do Turismo, a pesquisa terá informações organizadas para permitir análises específicas dos municípios. A previsão de divulgação em painéis do Observatório Nacional de Turismo Sustentável também deve facilitar o acesso aos resultados por gestores públicos e representantes do setor.

Informações podem orientar cidades em períodos de maior movimento

Destinos brasileiros enfrentam mudanças de fluxo ao longo do ano, especialmente durante férias escolares, feriados e temporadas de maior procura. Saber quanto tempo os visitantes permanecem, onde se hospedam e quais experiências procuram pode auxiliar na preparação de serviços e na distribuição de recursos.

Em cidades litorâneas, por exemplo, um diagnóstico mais preciso pode ser útil para o planejamento de atividades relacionadas à praia, à gastronomia, à hotelaria, aos passeios náuticos e ao contato com a natureza. A pesquisa não substitui levantamentos locais, mas pode oferecer uma referência comum para que municípios avaliem seus desafios e comparem a evolução da atividade turística.

O contexto territorial também é relevante para a leitura dos resultados. O IBGE mantém informações sobre os municípios costeiros brasileiros, referência que pode contribuir para análises relacionadas à distribuição geográfica dos destinos e às características das cidades que recebem visitantes em áreas próximas ao litoral.

Pesquisa pode apoiar políticas públicas e empresas

Com dados detalhados por município, prefeituras e governos estaduais poderão identificar possíveis necessidades em áreas como transporte, sinalização, limpeza urbana, segurança, preservação ambiental e oferta de lazer. A intenção é que o planejamento seja baseado em evidências sobre o comportamento dos visitantes, e não somente em estimativas de fluxo.

As informações também podem apoiar ações de divulgação. Ao conhecer os motivos que levam os turistas a escolher determinado destino, os responsáveis pela promoção turística poderão ajustar campanhas e destacar experiências mais alinhadas aos interesses do público. Da mesma forma, a percepção registrada pelos visitantes pode indicar pontos fortes e aspectos que precisam ser aprimorados.

O levantamento ainda prevê que a metodologia seja disponibilizada para municípios interessados em realizar pesquisas semelhantes. Essa possibilidade amplia o alcance da iniciativa, porque cidades que não participarem da primeira etapa poderão utilizar o modelo como referência para produzir seus próprios diagnósticos.

Resultados devem ser apresentados em 2027

O próximo passo é concluir as entrevistas presenciais previstas até 3 de outubro de 2026 e consolidar as informações coletadas nos 50 destinos. A expectativa do Ministério do Turismo é publicar os resultados até abril de 2027, por meio dos painéis do Observatório Nacional de Turismo Sustentável.

Até a divulgação, ainda não será possível saber quais perfis de visitantes aparecerão com maior frequência, quanto será gasto em cada local ou quais atividades terão maior destaque. O que já está definido é o objetivo de construir um retrato mais detalhado do turismo no país, com dados que possam ser consultados por administrações públicas, empreendedores e organizações ligadas ao setor.

Para os destinos, a principal contribuição esperada é transformar a percepção sobre o visitante em informação prática. Com esse conhecimento, cidades brasileiras poderão planejar melhor a recepção de turistas, aperfeiçoar serviços e buscar uma oferta mais adequada às características de cada público.