MAM de São Paulo reabre após dois anos e inaugura nova fase com grande exposição

Por Patrick Calderton 9 Min de leitura

Museu volta a receber o público em 12 de setembro com espaços renovados e a abertura do 39º Panorama da Arte Brasileira.

Depois de aproximadamente dois anos com sua sede fechada, o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) prepara a reabertura no Parque Ibirapuera para sábado, 12 de setembro de 2026. A retomada acontece após uma intervenção que reorganizou os ambientes internos, modernizou instalações e procurou melhorar a circulação e a acessibilidade do público. A sede estava fechada desde agosto de 2024, período em que o museu manteve parte de suas atividades fora do edifício. (MAM)

A reabertura terá como principal atração o 39º Panorama da Arte Brasileira: “Depois que tudo foi dito”, uma das exposições mais tradicionais da instituição. Com curadoria de Diane Lima, a mostra reúne 30 artistas e propõe uma reflexão sobre as transformações recentes da produção artística brasileira, explorando novas maneiras de pensar representação, matéria, identidade e os possíveis futuros da arte no país. (Folha de S.Paulo)

O momento tem também importância histórica para o próprio museu. O primeiro Panorama da Arte Brasileira, realizado em 1969, coincidiu com a estreia da sede do MAM no Parque Ibirapuera. Mais de meio século depois, uma nova edição da exposição volta a acompanhar uma transformação significativa do espaço, agora marcada pela modernização da infraestrutura e por mudanças na forma como o público circula pelas galerias. (Folha de S.Paulo)

O que mudou no MAM de São Paulo após a reforma

A intervenção reorganizou diferentes áreas do museu sem descaracterizar elementos importantes de sua arquitetura. O projeto foi conduzido pelos arquitetos Silvio Oksman e Anna Helena Villela, do escritório Metrópole, e incluiu melhorias de circulação, renovação do auditório e substituição de instalações elétricas e de climatização. (Folha de S.Paulo)

Um dos cuidados foi preservar e tornar mais visível a estrutura da marquise do Parque Ibirapuera, construída na década de 1950. O novo saguão recebeu maior entrada de luz natural com a desobstrução das superfícies de vidro voltadas para o jardim, enquanto mudanças na organização interna buscam transmitir ao visitante uma sensação de espaço mais amplo. (Folha de S.Paulo)

As três salas destinadas às exposições também foram atualizadas. Elas receberam um sistema suspenso e modular de calhas e trilhos que integra iluminação e estruturas capazes de sustentar obras em diferentes pontos das galerias. Essa flexibilidade é importante para um museu que trabalha com instalações, esculturas e produções contemporâneas que nem sempre se encaixam no modelo tradicional de quadros instalados nas paredes. (Folha de S.Paulo)

A acessibilidade foi outro ponto contemplado. A entrada passou por modificações, a antiga escada interna foi retirada e a bilheteria reposicionada, liberando espaço para circulação. Loja, biblioteca e áreas administrativas também foram reorganizadas, enquanto equipamentos que antes interferiam visualmente na arquitetura foram reposicionados. (Folha de S.Paulo)

A reforma interna propriamente dita foi executada em aproximadamente seis meses, depois que a restauração da marquise permitiu o avanço das intervenções na sede. O resultado procura preservar a identidade modernista do espaço ao mesmo tempo em que adapta o museu às necessidades atuais de conservação, exposições e recepção dos visitantes. (Folha de S.Paulo)

Panorama da Arte Brasileira reúne 30 artistas na reabertura

O grande destaque da retomada será o 39º Panorama da Arte Brasileira, que ficará em cartaz de 12 de setembro de 2026 a 24 de janeiro de 2027. Batizada de “Depois que tudo foi dito”, a edição tem curadoria de Diane Lima e investiga como mudanças sociais, culturais e políticas das últimas décadas influenciaram a maneira como a arte brasileira é produzida e interpretada. (MAM)

A seleção chama atenção também pela distribuição geográfica dos participantes. Dos 30 artistas reunidos, 12 são do Nordeste, enquanto outros nove estão distribuídos entre Norte, Centro-Oeste e Sul. A composição se distancia de momentos anteriores da história institucional, quando o circuito artístico nacional estava muito mais concentrado no eixo Rio-São Paulo. (Folha de S.Paulo)

A exposição apresenta menos protagonismo da pintura convencional e abre espaço para instalações, esculturas e experiências com diferentes materiais. Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, a curadoria trabalha com formas abstratas, porosas e até consideradas “monstruosas”, em uma tentativa de investigar novos caminhos da produção artística contemporânea. (Folha de S.Paulo)

Entre os trabalhos está uma instalação de Jota Mombaça, criada a partir de mais de 200 metros de tecido submetidos durante semanas às águas de diferentes pontos de Natal, no Rio Grande do Norte. Também aparecem trabalhos que utilizam cerâmica, areia, estruturas metálicas e outros materiais, reforçando a dimensão experimental da edição. (Folha de S.Paulo)

A própria diversidade de linguagens faz parte do conceito da exposição. Em vez de oferecer uma definição fechada sobre o que representa a arte brasileira contemporânea, o Panorama pretende estimular questionamentos sobre onde o país está culturalmente, quais transformações ocorreram nas últimas décadas e que caminhos podem surgir para as próximas gerações. (MAM)

Por que a reabertura do MAM é importante para a cultura brasileira

Fundado em 1948, o MAM ocupa uma posição relevante na história da arte moderna e contemporânea do Brasil. Sua sede no Parque Ibirapuera integra um dos principais polos culturais de São Paulo e mantém uma relação direta com a arquitetura modernista que caracteriza parte importante do parque.

A retomada presencial ganha peso justamente porque ocorre depois de um período prolongado sem funcionamento regular da sede. Embora o MAM tenha realizado exposições e projetos em outros espaços durante a reforma, o retorno ao Ibirapuera permite novamente concentrar exposições, programas educativos, biblioteca, auditório e outras atividades em sua estrutura principal. O próprio museu confirma oficialmente a reabertura em 12 de setembro. (MAM)

Há ainda um componente simbólico na escolha do Panorama para inaugurar essa fase. Criada em 1969, a exposição tornou-se uma plataforma recorrente para observar movimentos e transformações da produção artística nacional. A edição de 2026 procura ampliar esse olhar ao apresentar artistas de diferentes regiões e origens, questionando antigas concentrações geográficas e institucionais do circuito brasileiro. (Folha de S.Paulo)

Para quem pretende visitar o espaço, o MAM está localizado no Parque Ibirapuera, na Avenida Pedro Álvares Cabral, em São Paulo. O site oficial informa funcionamento regular de terça-feira a domingo, das 10h às 18h, e disponibiliza informações atualizadas sobre exposições, programação e ingressos. (MAM)

A reabertura, portanto, vai além da conclusão de uma reforma física. O museu retorna com uma infraestrutura renovada e uma exposição que procura discutir justamente como a arte brasileira se transformou enquanto instituições culturais também repensam sua relação com artistas e públicos. A combinação faz do retorno do MAM um dos acontecimentos relevantes da agenda cultural de São Paulo em setembro.

Com o 39º Panorama da Arte Brasileira ocupando a sede até janeiro de 2027, o público encontrará um museu arquitetonicamente familiar, mas reorganizado para uma nova etapa. Depois de dois anos longe de sua sede tradicional, o MAM volta ao Parque Ibirapuera tentando equilibrar preservação de sua história, renovação institucional e abertura para novas perspectivas da produção artística brasileira.

Fontes:

MAM São Paulo — 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito

MAM São Paulo — informações oficiais sobre a reabertura

Folha de S.Paulo — MAM reabre com espaços renovados

Folha de S.Paulo — 39º Panorama da Arte Brasileira