Memória e cognição na terceira idade: Veja como estimular a mente com hábitos diários

Por Diego Velázquez 6 Min de leitura
Yuri Silva Portela

Conforme ressalta o doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, a memória e a cognição são capacidades essenciais para manter autonomia, participação social e qualidade de vida durante o envelhecimento. Tendo isso em vista, preservar as funções mentais na terceira idade exige uma rotina ativa, com estímulos intelectuais, convivência, movimento físico e propósito. 

Interessado em saber mais sobre? Nos próximos parágrafos, veremos como atividades cognitivas, sociais e físicas podem fortalecer o raciocínio, a atenção e a preservação de informações.

Por que memória e cognição precisam ser estimuladas?

O envelhecimento pode alterar a velocidade de processamento das informações, a concentração e a capacidade de recuperar lembranças rapidamente. No entanto, essas mudanças não significam uma perda inevitável de autonomia. O cérebro continua respondendo a novos estímulos quando a pessoa mantém uma rotina com desafios, interação e aprendizado.

Desse modo, a passividade é um dos principais obstáculos para a preservação cognitiva. Quando o idoso deixa de participar de decisões, reduz conversas, abandona hobbies e passa grande parte do tempo em atividades repetitivas, ele perde oportunidades importantes de exercitar a mente. Assim, estimular memória e cognição envolve manter participação ativa na própria rotina, como destaca Yuri Silva Portela.

Quais atividades ajudam a exercitar a memória e a cognição?

As melhores atividades cognitivas são aquelas que desafiam sem causar excesso de frustração. De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, a leitura, escrita, jogos de estratégia, palavras cruzadas, pintura, música, artesanato, aprendizado de idiomas e uso orientado de tecnologia podem ativar diferentes habilidades mentais.

Aliás, o mais importante é variar os estímulos, pois cada prática trabalha atenção, linguagem, planejamento ou criatividade. Inclusive, aprender algo novo costuma gerar mais benefícios do que apenas repetir tarefas já dominadas. Tendo isso em vista, as seguintes práticas podem ser inseridas com facilidade na rotina:

  • Leitura diária: estimula concentração, vocabulário e interpretação.
  • Jogos de memória: trabalham associação, atenção e recuperação de informações.
  • Escrita de relatos: organiza lembranças, emoções e sequência de acontecimentos.
  • Aprendizado contínuo: fortalece raciocínio, curiosidade e flexibilidade mental.
  • Planejamento de tarefas: preserva autonomia, decisão e senso de controle.
Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Essas atividades funcionam melhor quando respeitam preferências pessoais. Um idoso que gosta de música pode se beneficiar de aulas de canto ou instrumento. Quem aprecia a convivência pode preferir clubes de leitura ou grupos de artesanato. Até porque, no final das contas, o estímulo cognitivo precisa fazer sentido para ser mantido com prazer e regularidade.

Como a convivência social influencia a cognição?

A vida social é uma forma poderosa de estímulo mental. Segundo Yuri Silva Portela, conversar, ouvir histórias, participar de grupos e manter vínculos exigem atenção, linguagem, memória e interpretação emocional. Dessa maneira, cada encontro ativa habilidades que dificilmente aparecem em atividades solitárias, especialmente quando há troca de ideias e envolvimento afetivo.

Além disso, elas fortalecem a autoestima, a sensação de pertencimento e a motivação para cuidar da própria saúde. Por fim, a troca entre gerações também merece atenção. Quando o idoso convive com crianças, jovens e adultos, ele compartilha experiências, aprende novas referências e acompanha mudanças culturais. Essa interação estimula a linguagem, a memória autobiográfica e a capacidade de adaptação, além de reforçar seu papel social, conforme frisa Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão.

Por que o movimento físico também protege a mente?

A atividade física não beneficia apenas músculos, equilíbrio e mobilidade. Como pontua o doutor pós-graduado em geriatria, Yuri Silva Portela, caminhadas, dança, hidroginástica, alongamentos, musculação supervisionada e exercícios de equilíbrio favorecem disposição, sono, circulação e bem-estar emocional. Esses fatores influenciam diretamente o funcionamento mental e a capacidade de manter uma rotina ativa.

Muitas práticas físicas também exigem memória e atenção. A dança envolve ritmo, coordenação e lembrança de passos. A musculação demanda orientação, sequência e controle corporal. Já os exercícios em grupo unem movimento e socialização, o que amplia os benefícios para a saúde mental.

Estimular a mente é preservar autonomia

Em conclusão, preservar memória e cognição na terceira idade depende de constância. Não basta realizar uma atividade isolada de vez em quando. O ideal é construir uma rotina com leitura, conversas, movimento físico, novos aprendizados, sono adequado, alimentação equilibrada e acompanhamento de saúde sempre que necessário.

Assim, quando a pessoa idosa participa da vida, decide, aprende, convive e se movimenta, suas funções mentais recebem estímulos valiosos. Mais do que prevenir perdas, esse cuidado fortalece independência, autoestima e propósito.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez