Setor de eventos bate recorde e já responde por 4,6% do PIB brasileiro

Por Diego Velázquez 6 Min de leitura

Novo levantamento do Sebrae e da Abeoc mostra que o segmento movimentou R$ 813,5 bilhões e gerou 12,7 milhões de empregos no país em 2024.

Um estudo lançado durante o Salão do Turismo 2026, no Centro de Eventos do Ceará, revelou o real tamanho da indústria de eventos no Brasil. O III Dimensionamento do Setor de Eventos apontou que, em 2024, cerca de 300 mil empresas movimentaram R$ 813,5 bilhões, valor equivalente a 4,6% do PIB brasileiro, além de gerarem aproximadamente 12,7 milhões de empregos. O trabalho foi conduzido pelo Sebrae Nacional, com execução técnica do Observatório da Indústria do Ceará. Portaldocomercio

O tamanho real de um setor que atravessa toda a economia

A pesquisa contou ainda com a articulação da Abeoc Brasil, da Embratur e da União Brasileira de Feiras e Eventos de Negócios, entre outras entidades do setor. O levantamento é considerado o primeiro grande estudo sobre o segmento no período pós-pandemia, e busca atualizar dados que ficaram defasados desde a retomada das atividades presenciais. Portaldocomercio

Segundo a pesquisa, o setor de eventos funciona como uma cadeia transversal, que conecta turismo, hospedagem, alimentação, publicidade, infraestrutura e serviços gerais, o que explica seu peso relativamente alto na economia nacional. A ideia central do estudo é oferecer uma base atualizada para orientar políticas públicas e decisões de investimento do setor privado.

Um dos diferenciais do III Dimensionamento foi a criação de um comitê com entidades do setor, responsável por validar cada etapa da pesquisa. Participaram da articulação grupos como a Alagev, a Academia Brasileira de Eventos e Turismo, a Abrape e a Abrafesta, entre outras associações ligadas a feiras, congressos e eventos corporativos.

O estudo também busca reposicionar o setor frente a transformações recentes, como a digitalização, a incorporação de novas tecnologias, as demandas por sustentabilidade e as mudanças no comportamento de consumo e produção de experiências. Essa atualização é vista como necessária para que o segmento acompanhe tendências que ganharam força depois da pandemia. Abeoc

Fortaleza vira vitrine para o setor de eventos

A escolha de Fortaleza para sediar o lançamento do estudo, e também o congresso internacional Cocal 2026, não é acaso. Dados da Secretaria do Turismo do Ceará mostram que o fluxo internacional de visitantes na capital cearense cresceu 27,17% entre janeiro e maio de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Correio Braziliense

Segundo a presidente da Abeoc Brasil, Enid Câmara de Vasconcelos, o Cocal é uma oportunidade para demonstrar o impacto econômico da indústria de eventos em escala continental. A cidade tem investido nos últimos anos em infraestrutura para receber encontros internacionais, e a chegada do congresso ocorre em um momento simbólico, já que Fortaleza celebra 300 anos em 2026. Portal IN

A programação de julho na capital cearense reúne ainda festivais populares como o Fortal e o Halleluya, além de feiras setoriais em áreas como saúde, educação, indústria e tecnologia, como a Expomóvel Ceará e o EDU Summit. Essa diversidade de segmentos ajuda a estimular a ocupação hoteleira em diferentes períodos do ano. Abeoc

O movimento não fica restrito ao Nordeste. Somente em 2025, foram realizados 1.511 eventos de grande porte na cidade de São Paulo, aumento de 22% em relação ao ano anterior, com impacto econômico estimado em R$ 14 bilhões, segundo o Barômetro Eventos B2B da União Brasileira de Feiras e Eventos de Negócios. Abeoc

Geração de empregos acima da média da economia

Além do impacto financeiro direto, o setor de eventos tem se destacado como um dos que mais geram vagas formais de trabalho no país. O número de empregos formais nas atividades ligadas ao segmento passou de 3,45 milhões em 2019 para 4,27 milhões em fevereiro de 2026, crescimento de 23,8% no período. Billboard Brasil

Na comparação com outras áreas da economia, o setor de eventos lidera o crescimento proporcional de empregos: a construção civil avançou 44,5% no mesmo intervalo, os serviços em geral 25%, o comércio 20,2% e a indústria geral 17,7%. Billboard Brasil

O avanço do país também acompanha uma tendência global. Um estudo da Global Industry Analysts projeta que as viagens de negócios, domésticas ou internacionais, devem atingir US$ 792 bilhões globalmente, reforçando o peso crescente do turismo de eventos e reuniões corporativas na economia mundial. ABEOC Brasil

Os dados divulgados neste início de julho devem alimentar o debate sobre políticas públicas voltadas ao setor nos próximos meses, especialmente em um momento em que incentivos fiscais criados durante a pandemia estão sendo revistos pelo governo federal e pelo Judiciário. Para entidades como a Abeoc, o estudo funciona como argumento técnico para defender a manutenção de estímulos e a ampliação de parcerias entre poder público e iniciativa privada.

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